Para além dessa atitude comum no cotidiano, a avaliação na escola ganha legitimidade, pois é atribuída pelo professor, profissional responsável por mensurar a aprendizagem dos alunos por meio de números ou conceitos, socialmente definidos, que determinam a quantidade desse valor.
Na trajetória da escola em nossa sociedade, a avaliação foi muito mais relacionada ao controle que à aprendizagem e reflexão sobre o processo escolar. Avaliava-se para classificar e separar os indivíduos entre capazes e incapazes, bons ou ruins. Até hoje a expressão "bom aluno", está relacionada à maior capacidade de aprendizagem em virtude de bons resultados nas avaliações, considerando que esse resultado deveria se aproximar ao máximo do conhecimento transmitido pelos professores.
Essa forma de avaliação gerou, durante anos, constrangimentos e uma relação de resistência entre o aluno e a escola. No texto "Conto de escola", Machado de Assis apresenta um pouco da dureza dessas relações. Da mesma maneira, a música de "The Wall", sucesso de Pink Floyd na década de 70, representa os efeitos da relação autoritária imposta aos alunos:
Essa visão da escola felizmente está cada vez mais distante, entretanto, o tema avaliação escolar ainda exige maior fundamentação. Do ponto de vista conceitual parece consenso entre os educadores que a avaliação deve ser formativa, mas, na prática, a mensuração final continua a ser mais valorizada que o processo de aprendizagem.
Nesse sentido, é preciso se perguntar a serviço de quem está a avaliação. A avaliação na escola está fundamentada em quais princípios, como acontece, o que avalia, para quê e para quem?
Vamos pensar, por exemplo, na avaliação da produção escrita. Ao solicitar a produção de uma texto, após ter desenvolvido o conceito de determinado gênero em sala de aula, como avaliar essa produção? Como mensurar seus resultados? Para que avaliar? A serviço de quem?
É fundamental que a avaliação esteja a serviço da aprendizagem do aluno. Ele é o sujeito principal desse processo. Ao desenvolver ao longo do bimestre determinada temática, é preciso avaliar se o conteúdo foi aprendido e de que maneira, mas não apenas ao final deste processo e muito menos apenas para classificar os alunos. A avaliação não significa um fim, mas sim o recomeço, pois, a partir dos resultados, novos rumos devem ser planejados para que a educação cumpra seu papel de educar.
A dificuldade e a insegurança que grande parte das pessoas demonstra ao escrever textos está relacionada justamente ao medo da avaliação negativa, que desprestigia em vez de apontar caminhos, que classifica em vez de oportunizar a continuidade do processo.
Retirar os obstáculos da escrita no universo escolar, atribuir-lhe um sentido para além da nota são os desafios de todos os professores que desejam fazer a diferença em seu trabalho pedagógico e realmente contribuir com o processo de aprendizagem de seus alunos na escola e na vida.
Nesse sentido, é preciso que planejamento, prática pedagógica e avaliação estejam em consonância, pois o professor precisa conhecer seus alunos e lhes oportunizar avanços em sua aprendizagem e, sobretudo, avaliar suas produções de forma coerente a esse processo.
Eu só posso avaliar determinada aprendizagem se, durante o processo, ofereci a meus alunos orientações e atividades que realmente propiciaram seu desenvolvimento. Dessa forma, será possível investigar o que os resultados indicam e replanejar a prática pedagógica.
Uma sugestão de leitura para refletirmos sobre a avaliação de textos na escola e seus efeitos sobre os alunos é o livro "Minhas férias, pula linha, parágrafo" de Christiane Gribel, que gera bons questionamentos sobre o quê, como e para que avaliar textos na escola. Parte do livro pode ser encontrada no link:http://letrasages.webnode.com.br/news/minhas-ferias-pula-uma-linha-paragrafo-christiane-gribel-/
O capítulo 9 do livro "Práticas de ensino de Língua Portuguesa" de Ana Tereza Naspolini também traz orientações bastante produtivas para quem deseja ampliar seus conhecimentos sobre avaliação da produção escrita.
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