"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso.
Nunca se sabe qual é o defeito
que sustenta nosso edifício inteiro."
Clarice Lispector
Solicitar produções de textos é uma tarefa comum a todas as áreas do conhecimento, entretanto, o histórico da correção de redações em nossas escolas é bastante frustrante na vida de alunos e professores.
Diante da necessidade de apontar os problemas a serem resolvidos em um texto, pouco espaço é dedicado à verificação de suas qualidades.
Na cultura escolar tradicional, tornou-se difícil observar avanços na organização de parágrafos ou ideias, porque o foco da atenção dos professores está nos desvios da norma padrão, principalmente relacionados à ortografia.
Qual era a nossa sensação quando recebíamos como devolutiva de nossas produções o texto com a indicação de nossos erros, independentemente da cor da caneta? Uma sensação de fracasso que nos desmobilizava a novas produções ou uma maior vontade de superar aqueles desafios?
Em geral, a primeira sensação era mais frequente, principalmente porque as anotações não eram seguidas de intervenções pedagógicas, apenas nos classificavam com determinada nota ou conceito.
Diante disso, o que fazermos para orientar o aluno sobre a necessidade de revisões ortográficas, sintáticas, semânticas sem desmobilizá-lo?
Em geral, a primeira sensação era mais frequente, principalmente porque as anotações não eram seguidas de intervenções pedagógicas, apenas nos classificavam com determinada nota ou conceito.
Diante disso, o que fazermos para orientar o aluno sobre a necessidade de revisões ortográficas, sintáticas, semânticas sem desmobilizá-lo?
A resposta a essa indagação não começa no momento da avaliação do texto, mas bem antes. As propostas de escrita no ambiente escolar precisam estar contextualizadas em situações de interação real. Qual o objetivo da produção? A quem se destina? Onde será divulgada? É preciso também evidenciar que só é justo avaliar o que realmente foi ensinado.
Quanto mais a produção de texto estiver vinculada a objetivos precisos e socialmente significativos, quanto mais o aluno for orientado sobre os critérios de produção e divulgação, mais fácil será compreender a necessidade de revisão.
Se as correções anotadas no texto do aluno não gerarem uma nova produção mais segura e consciente, serão pouco úteis ao processo de aprendizagem.
Os professores precisam intervir pedagogicamente nas produções escritas de seus alunos, mas por meio de atividades de ensino-aprendizagem que considerem o conteúdo e a forma dos textos e que visem ao seu aperfeiçoamento. Apresentamos abaixo algumas sugestões de Ana Tereza Naspolini:
Autocorreção: a ação do aluno é sobre as palavras. Ao corrigir o texto, o professor assinala as palavras com desvios da norma padrão para que os alunos as pesquisem no dicionário e a reescrevam de maneira adequada. Uma estratégia mais avançada é marcar com um x a margem da linha em que há alguma inadequação. Nesse caso, o aluno precisará rever toda a frase, encontrar o problema e solucioná-lo. A estratégia de autocorreção não modifica o conteúdo da mensagem, mas aperfeiçoa a forma de comunicá-la.
Codificação: o aluno vai agir sobre o texto visando transformar a acentuação, a pontuação e a concordância nominal e verbal. É preciso, portanto, iniciar a convenção dos códigos que pode ser construída com os alunos de acordo com as intencionalidade de aprendizagem.
Ex:
Ao corrigir o texto, o professor coloca os códigos e o aluno os decodifica inserindo modificações em seu texto a fim de aperfeiçoá-lo.
Reestruturação: essa atividade é uma variante da codificação, mas com predomínio da ação reflexiva. Na reestruturação, a classe toda ou um grupo atua sobre um texto selecionado. Esse texto pode ser escrito na lousa, em papel ou recurso digital, o importante é que possa ser alterado com os alunos. É mais produtivo selecionar um texto pequeno ou apenas parte do texto para que a atividade não se torne enfadonha. No processo de reestruturação, além de adequar o texto, é preciso refletir coletivamente sobre essas adequações.
Refação: nessa estratégia, o objetivo é clarear, completar as ideias, dar coerência e coesão ao texto. Consiste em fazer perguntas, sugerir substituições, cortes e inserções de novos parágrafos. Essa ação também pode ser coletiva, o professor seleciona um texto significativo e faz as intervenções por escrito, providencia uma cópia ou projeta o texto a todos os alunos, discute as intervenções com a classe levantando possibilidades de transformação. Em seguida, os alunos escrevem o texto fazendo as modificações necessárias.
Autoavaliação: ao terminar a produção, o aluno faz uma revisão com o apoio de um roteiro organizado pelo professor com perguntas sobre o conteúdo e a forma do texto. Essas perguntas visam à reflexão sobre a escrita ainda no rascunho para que, posteriormente, o aluno escreva a segunda versão. Em relação à estrutura do texto, a ficha deve ser adequada ao gênero solicitado. No exemplo abaixo, foi solicitado aos alunos um texto narrativo.
Essas sugestões podem promover avanços na aprendizagem dos alunos relativas à produção de textos, mas requerem investimento no diálogo, leitura de textos de qualidade e apresentação e discussão de outras mídias. Todas as atividades solicitadas precisam ter objetivos claros e ser contextualizadas, caso contrário também se tornarão apenas tarefas pouco produtivas.
OBS: Os exemplos e imagens utilizados foram retirados do livro "Tijolo por tijolo: prática de ensino de língua portuguesa. São Paulo: FTD, 2009", acervo das escolas municipais de São Paulo.
Os professores precisam intervir pedagogicamente nas produções escritas de seus alunos, mas por meio de atividades de ensino-aprendizagem que considerem o conteúdo e a forma dos textos e que visem ao seu aperfeiçoamento. Apresentamos abaixo algumas sugestões de Ana Tereza Naspolini:
Autocorreção: a ação do aluno é sobre as palavras. Ao corrigir o texto, o professor assinala as palavras com desvios da norma padrão para que os alunos as pesquisem no dicionário e a reescrevam de maneira adequada. Uma estratégia mais avançada é marcar com um x a margem da linha em que há alguma inadequação. Nesse caso, o aluno precisará rever toda a frase, encontrar o problema e solucioná-lo. A estratégia de autocorreção não modifica o conteúdo da mensagem, mas aperfeiçoa a forma de comunicá-la.
Codificação: o aluno vai agir sobre o texto visando transformar a acentuação, a pontuação e a concordância nominal e verbal. É preciso, portanto, iniciar a convenção dos códigos que pode ser construída com os alunos de acordo com as intencionalidade de aprendizagem.
Ex:
Ao corrigir o texto, o professor coloca os códigos e o aluno os decodifica inserindo modificações em seu texto a fim de aperfeiçoá-lo.
Reestruturação: essa atividade é uma variante da codificação, mas com predomínio da ação reflexiva. Na reestruturação, a classe toda ou um grupo atua sobre um texto selecionado. Esse texto pode ser escrito na lousa, em papel ou recurso digital, o importante é que possa ser alterado com os alunos. É mais produtivo selecionar um texto pequeno ou apenas parte do texto para que a atividade não se torne enfadonha. No processo de reestruturação, além de adequar o texto, é preciso refletir coletivamente sobre essas adequações.
Refação: nessa estratégia, o objetivo é clarear, completar as ideias, dar coerência e coesão ao texto. Consiste em fazer perguntas, sugerir substituições, cortes e inserções de novos parágrafos. Essa ação também pode ser coletiva, o professor seleciona um texto significativo e faz as intervenções por escrito, providencia uma cópia ou projeta o texto a todos os alunos, discute as intervenções com a classe levantando possibilidades de transformação. Em seguida, os alunos escrevem o texto fazendo as modificações necessárias.
Autoavaliação: ao terminar a produção, o aluno faz uma revisão com o apoio de um roteiro organizado pelo professor com perguntas sobre o conteúdo e a forma do texto. Essas perguntas visam à reflexão sobre a escrita ainda no rascunho para que, posteriormente, o aluno escreva a segunda versão. Em relação à estrutura do texto, a ficha deve ser adequada ao gênero solicitado. No exemplo abaixo, foi solicitado aos alunos um texto narrativo.
Essas sugestões podem promover avanços na aprendizagem dos alunos relativas à produção de textos, mas requerem investimento no diálogo, leitura de textos de qualidade e apresentação e discussão de outras mídias. Todas as atividades solicitadas precisam ter objetivos claros e ser contextualizadas, caso contrário também se tornarão apenas tarefas pouco produtivas.
OBS: Os exemplos e imagens utilizados foram retirados do livro "Tijolo por tijolo: prática de ensino de língua portuguesa. São Paulo: FTD, 2009", acervo das escolas municipais de São Paulo.




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