"Semen est Verbum Dei"
A semente é a palavra de Deus
O padre Antônio Vieira no "Sermão da Sexagésima", texto escrito no século XVII, comparava o pregador ao semeador.
O professor também é um semeador empenhado na árdua tarefa de promover a fertilização das ideias.
Produção escrita: a importância da fertilização das ideias
A expressão “fertilização da
mente” encontrada no livro de Othon Moacyr Garcia se refere à necessidade de se
ter ideias para escrever. Sem experiências sobre determinado assunto ou gênero
textual dificilmente é possível produzir um texto consistente. Despertar
ideias, regá-las e colhê-las cuidadosamente são, portanto, tarefas docentes,
contudo não são atividades simples e por isso são pouco frequentes em sala de
aula.
Tzvetan Todorov, em seu livro “Literatura em perigo”, revela que a preponderância da teoria
literária sobre práticas de leitura e escrita nas escolas é um dos motivos para
o afastamento do aluno das práticas reais de leitura e, por conseguinte, das
práticas de escrita. No Ensino Médio, a literatura é, em geral, pano de fundo
para o ensino do contexto histórico e das características das escolas
literárias. Na Educação Básica, os estudos literários se concentram em
atividades de compreensão de texto ou das tipologias ou gêneros textuais. Ensinar esses conteúdos é tarefa da escola, entretanto, o uso
apenas dessas estratégias didáticas não contribui para aproximar os alunos da
leitura e da escrita como atividades sociais.
Tendo em vista essas
considerações, percebe-se que é importante que o docente vislumbre novas possibilidades
no processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita e, principalmente, do
incentivo de produção real dessas habilidades, revendo seu próprios conceitos sobre
currículo, aula, ensino, aprendizagem e avaliação.
O currículo envolve a aula, o ensino,
a aprendizagem e a avaliação. Tudo isso é mediado pelas ações e expectativas
humanas, o que põe em evidência a necessidade de investir no relacionamento
professor aluno. O que deve ser ensinado e de que maneira? Por quê? Para quem? Quando? Quais são os reais objetivos de todas as
atividades que envolvem a leitura e a escrita?
O objetivo de todas as ações
pedagógicas é promover a autonomia dos alunos nas ações e decisões que dizem
respeito aos conhecimentos fundamentais para que se desenvolva em sua vida
pessoal e profissional e em sua relação com a sociedade e com o mundo. Quando se incentivam práticas de leitura e escrita não se quer apenas
que o aluno aprenda sobre tipos e gêneros literários nem sobre o contexto
histórico social de determinada escola literária, o objetivo é, sobretudo, que
ele leia e escreva, conforme suas necessidades e expectativas!
Promover a autonomia na leitura e
escrita requer principalmente planejamento. Nesse sentido, a prática de
organizar oficinas de leitura é muito bem vinda. É preciso que o professor, diante
do objetivo de ensinar determinado gênero textual, selecione na sala de leitura
da escola ou em outras fontes textos de boa qualidade que possam ser
disponibilizados para leitura dos alunos, é importante também disponibilizar outras linguagens: filmes, músicas, imagens. Após essas leituras, podem ser
promovidos debates sobre os textos, comentários sobre seu conteúdo e estrutura
para apenas posteriormente solicitar alguma produção escrita.
As atividades de produção escrita
também precisam estar vinculadas a objetivos claros, pois para produzir um texto o aluno precisa saber
quem será seu interlocutor e em que veículo o texto poderá ser publicado.
Na
vida real, escreve-se com alguma finalidade para além da correção do professor. Uma crônica pode compor um jornal, uma revista, ou mesmo uma coletânea de
crônicas, um conto ou um poema podem ser publicados no mural da escola, uma
carta de solicitação pode ser entregue à direção da escola, enfim, quanto mais
próximo a um contexto real maiores são as chances de fertilização das ideias e,
por conseguinte, de sucesso da produção escrita.
Nesse contexto, é preciso ousar e incentivar o contato frequente com atividades que instiguem leituras diversas e ampliem nossa capacidade criativa.
Fertilizar ideias de maneira intencional na escola exige planejamento e seleção de materiais. Em geral, não adianta se valer apenas do discurso de que ler é bom e escrever é importante. Nas ações sutis e intencionais residem, muitas vezes, as mais belas colheitas, principalmente porque, na escola, a produção textual está envolta pelo receio da avaliação.
Lembram-se do livro que deu origem ao filme "História sem fim". Nesse caso, o desejo da leitura surgiu justamente de uma proibição. Mas uma proibição planejada para aguçar a curiosidade.
Vamos recordar?
Nesse contexto, é preciso ousar e incentivar o contato frequente com atividades que instiguem leituras diversas e ampliem nossa capacidade criativa.
Fertilizar ideias de maneira intencional na escola exige planejamento e seleção de materiais. Em geral, não adianta se valer apenas do discurso de que ler é bom e escrever é importante. Nas ações sutis e intencionais residem, muitas vezes, as mais belas colheitas, principalmente porque, na escola, a produção textual está envolta pelo receio da avaliação.
Lembram-se do livro que deu origem ao filme "História sem fim". Nesse caso, o desejo da leitura surgiu justamente de uma proibição. Mas uma proibição planejada para aguçar a curiosidade.
Vamos recordar?
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