terça-feira, 11 de junho de 2013

TERCEIRO ENCONTRO 13/06 - GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS: A FERTILIZAÇÃO DAS IDEIAS


"Semen est Verbum Dei"
A semente é  a palavra de Deus

O padre Antônio Vieira no "Sermão da Sexagésima", texto escrito no século XVII, comparava o pregador ao semeador. 
O professor também é um semeador empenhado na árdua tarefa de promover a fertilização das ideias.





Produção escrita: a importância da fertilização das ideias

A expressão “fertilização da mente” encontrada no livro de Othon Moacyr Garcia se refere à necessidade de se ter ideias para escrever. Sem experiências sobre determinado assunto ou gênero textual dificilmente é possível produzir um texto consistente. Despertar ideias, regá-las e colhê-las cuidadosamente são, portanto, tarefas docentes, contudo não são atividades simples e por isso são pouco frequentes em sala de aula.

Tzvetan Todorov,  em seu livro “Literatura em perigo”,  revela que a preponderância da teoria literária sobre práticas de leitura e escrita nas escolas é um dos motivos para o afastamento do aluno das práticas reais de leitura e, por conseguinte, das práticas de escrita. No Ensino Médio, a literatura é, em geral, pano de fundo para o ensino do contexto histórico e das características das escolas literárias. Na Educação Básica, os estudos literários se concentram em atividades de compreensão de texto ou das tipologias ou gêneros textuais. Ensinar esses conteúdos é tarefa da escola, entretanto, o uso apenas dessas estratégias didáticas não contribui para aproximar os alunos da leitura e da escrita como atividades sociais.

Tendo em vista essas considerações, percebe-se que é importante que o docente vislumbre novas possibilidades no processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita e, principalmente, do incentivo de produção real dessas habilidades, revendo seu próprios conceitos sobre currículo, aula, ensino, aprendizagem e avaliação.

O currículo envolve a aula, o ensino, a aprendizagem e a avaliação. Tudo isso é mediado pelas ações e expectativas humanas, o que põe em evidência a necessidade de investir no relacionamento professor aluno. O que deve ser ensinado e de que maneira? Por quê? Para quem? Quando?  Quais são os reais objetivos de todas as atividades que envolvem a leitura e a escrita?

O objetivo de todas as ações pedagógicas é promover a autonomia dos alunos nas ações e decisões que dizem respeito aos conhecimentos fundamentais para que se desenvolva em sua vida pessoal e profissional e em sua relação com a sociedade e com o mundo. Quando se incentivam práticas de leitura e escrita não se quer apenas que o aluno aprenda sobre tipos e gêneros literários nem sobre o contexto histórico social de determinada escola literária, o objetivo é, sobretudo, que ele leia e escreva, conforme suas necessidades e expectativas!

Promover a autonomia na leitura e escrita requer principalmente planejamento. Nesse sentido, a prática de organizar oficinas de leitura é muito bem vinda. É preciso que o professor, diante do objetivo de ensinar determinado gênero textual, selecione na sala de leitura da escola ou em outras fontes textos de boa qualidade que possam ser disponibilizados para leitura dos alunos, é importante também disponibilizar outras linguagens: filmes, músicas, imagens. Após essas leituras, podem ser promovidos debates sobre os textos, comentários sobre seu conteúdo e estrutura para apenas posteriormente solicitar alguma produção escrita.

As atividades de produção escrita também precisam estar vinculadas a objetivos claros, pois  para produzir um texto o aluno precisa saber quem será seu interlocutor e em que veículo o texto poderá ser publicado. 

Na vida real, escreve-se com alguma finalidade para além da correção do professor. Uma crônica pode compor um jornal, uma revista, ou mesmo uma coletânea de crônicas, um conto ou um poema podem ser publicados no mural da escola, uma carta de solicitação pode ser entregue à direção da escola, enfim, quanto mais próximo a um contexto real maiores são as chances de fertilização das ideias e, por conseguinte, de sucesso da produção escrita.

Nesse contexto, é preciso ousar e incentivar o contato frequente com atividades que instiguem leituras diversas e ampliem nossa capacidade criativa.

Fertilizar ideias de maneira intencional na escola exige planejamento e seleção de materiais. Em geral, não adianta se valer apenas do discurso de que ler é bom e escrever é importante. Nas ações sutis e intencionais residem, muitas vezes, as mais belas colheitas, principalmente porque, na escola, a produção textual está envolta pelo receio da avaliação.

Lembram-se do livro que deu origem ao filme "História sem fim". Nesse caso, o desejo da leitura surgiu justamente de uma proibição. Mas uma proibição planejada para aguçar a curiosidade. 


Vamos recordar?



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