sábado, 23 de fevereiro de 2013

A importância da escrita: necessidade social e manifestação artística - 2.ª edição revista e ampliada

Neste ano, retomaremos o curso revendo e ampliando temas suscitados em 2012. Nos sete encontros previstos, pretendemos discutir e promover atividades sobre conceitos e práticas pedagógicas envolvendo o ensino, a aprendizagem e a avaliação da produção de textos dos alunos do Ensino Fundamental. Deteremos nosso olhar sobre as relações de coesão e coerência, afetividade, identidade e alteridade, gêneros e tipologias textuais. Avançaremos também para o debate sobre a inclusão das novas tecnologias como forma de incentivo e divulgação de textos de autoria. 

PROVE 7

Quem conhece o cotidiano da rede pública reconhece que, apesar de alguns problemas estruturais, ela abarca inúmeras possibilidades pedagógicas, pois permite maior autonomia do professor e execução de projetos inovadores. Entretanto, pouco desse trabalho chega ao conhecimento da população em geral.

Esse fato comprova a necessidade de divulgação das ações pedagógicas bem sucedidas. É preciso mostrar à sociedade que a escola pública é um celeiro de ideias rico e diversificado e que há inúmeros projetos com resultados favoráveis à aprendizagem e à vida em geral de alunos e de comunidades.

O PROVE, cujo sugestivo título faz referência à necessidade  de comprovação, incentiva a divulgação desses projetos. No ano de 2012, as experiências das professoras que participaram do curso "A importância da escrita: necessidade social e manifestação artística" compuseram um projeto inicial de livro: o PROVE 7. Neste ano de 2013, pretendemos acrescentar outras propostas à edição experimental e publicar até o final do ano o resultado de todo esse processo.

Dessa forma, em março deste ano iniciaremos mais um ano de formação e contamos com a adesão de professores de todas as escolas envolvidas no PROVE.

O curso será ministrado mensalmente, às quintas-feiras, das 15h30 às 18h30 na EMEF Professora Carolina Renno Ribeiro de Oliveira.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ESCREVER E INCENTIVAR A ESCRITA: PLANTIO E COLHEITA

Escrever não é fácil, nem para alunos e nem para professores. É comum que nós que lidamos com o trabalho de ensinar nos preocupemos mais com o planejamento das aulas em busca de seguir o conteúdo do currículo e deixemos em segundo plano nossa própria atividade de produção escrita. Quantos textos produzimos ao longo do ano? Quantas vezes temos coragem de expor nossos registros a outros colegas? É comum sentirmos um certo receio da exposição, das possíveis críticas. A maioria de nós já vivenciou uma situação em que, durante uma reunião coletiva, foi difícil encontrar alguém que aceitasse de bom grado a tarefa de escriba.

Nesse sentido, as ações de formação de professores precisam também centrar-se em práticas nas quais eles sejam motivados a ler e a escrever e sintam-se à vontade para expressar um pouco de sua trajetória, de seus sentimentos, de seus sonhos. 

Em várias oportunidades as professoras produziram textos carregados de sentimentos e puderam compartilhá-los sem receio das consequências.

Reviver a experiência de produção de texto nos dá a medida certa do sentimento de nossos alunos quando lhes solicitamos o mesmo tipo de tarefa e nos torna mais preocupados com a fertilização das ideias e com o acolhimento adequado aos seus resultados. Esse cuidado na proposição e avaliação das tarefas escolares envolvendo a escrita têm o intuito de manter sempre vivas novas chances de colheita.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

FERTILIZAÇÃO DAS IDEIAS

A expressão fertilização das ideias perpassou todos os encontros do curso.  Como propor aos alunos atividades de produção escrita sem antes "fertilizar-lhes as ideias?". 

Essa questão foi suscitada por Othon Moacyr Garcia e Gabriel Perissé, que confirmaram a importância de experiências pedagógicas nas quais os docentes dialogam com seus alunos, oportunizam experiências de leitura de textos de boa qualidade e preocupam-se com a efabulação e o encantamento sobre o tema  proposto.

O ensino não pode se concentrar apenas no conteúdo formal, em conceitos abstratos sobre gêneros e tipologias textuais sem antes promover a oportunidade de o aluno saborear (lembram-se do par saber/sabor de Rubem Alves?*) sobre tantos textos e histórias já produzidas pela humanidade.


* http://www.releituras.com/rubemalves_cozinheiras.asp

GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. 22.ª ed. Rio de Janeiro: FGV,2002.
PERISSÉ, Gabriel. Ler, pensar e escrever. 2.ª ed. São Paulo: Arte &Ciência, 1998.

Um pouco de história...

No início de 2012, nossa amiga Olga nos incentivou a organizarmos um curso sobre a importância da escrita no âmbito do PROVE, Projeto de Valorização do Educador e Melhoria da Qualidade de Ensino. Esse projeto é uma iniciativa que surgiu do engajamento de algumas escolas da região Sul de São Paulo com o intuito de proporcionar espaços de  formação continuada aos docentes envolvidos.

Fundamentando-se nos princípios do mestre Paulo Freire, os organizadores do PROVE acreditam que o professor deve ser, antes de tudo, um pesquisador que produz e compartilha conhecimentos. Essa concepção nos encorajou como professoras a aceitar o desafio de ministrar ao longo do ano o curso título deste blog. Aprendemos muito com a interação com outras professoras, reforçamos o conceito de que escrever requer muito mais que o conhecimento da gramática normativa, aliás, esta é apenas um detalhe diante de questões psicossociais.

A escrita exige, acima de tudo, repertório, conquistado na vida cotidiana, nas experiências e interações dialógicas, nos livros, nos cinemas e na arte em geral.

Escrever é uma luta tal qual nos confirmara Drummond, mas encerramos a primeira edição do curso certas de que não é uma luta vã.